Incorporação consciente ou inconsciente


Incorporação consciente ou inconsciente Desenvolvimento mediúnico
Medos e traumas – Quebrando tabus e preconceitos 
A importância da educação mediúnica


Um dos maiores dilemas vividos pelos médiuns de incorporação é o medo. No momento exato em que deveria relaxar e esvaziar a mente, ele se contrai todo e começa a pensar em várias coisas ao mesmo tempo dificultando assim seu desenvolvimento mediúnico.

São tantos medos, e às vezes, tanta pressão, que o médium iniciante simplesmente “trava” e, é claro, nada acontece.

Em seus pensamentos se acumulam o fantasma da mistificação, do estar sendo observado, questionado, da insegurança, etc. e tal.

Pior ainda fica a situação quando se depara com a questão do ser ou não um médium consciente.

A consciência e a inconsciência durante o transe mediúnico são questões muito particulares inerentes a cada pessoa e uma não desabona a outra em sua autenticidade.

O mais correto seria dizer que todo médium é semi consciente porque a incorporação é um estado alterado de consciência, ou seja, é um transe no qual duas consciências interagem.

Durante a incorporação, para reforçar a teoria da semi consciência, podemos citar os gestos, muitas vezes involuntários, praticados pelo médium e que não são os seus habituais. O médium sabe, conscientemente, que está agindo sob outra sugestão/orientação, no caso a de seu guia espiritual.

A incorporação é uma conexão mental entre o médium e a entidade espiritual e só acontece com a total permissão/passividade, do médium que permite ao outro (espírito), que domine, temporariamente, a sua matéria.

 O desenvolvimento mediúnico permite que a confiança e a entrega do médium aconteçam gradativa e calmamente. Cada um terá uma velocidade e estará mais ou menos aberto à condição de médium de incorporação.

Ansiedade, medo, fobias, pensamentos em desalinho são os principais impedimentos para uma incorporação confiante e tranquila.

A incorporação é um acoplamento de auras, ou seja, a entidade espiritual acopla sua aura na do médium e então a incorporação acontece.
Na incorporação os chakras do espírito e os do médium se ligam, assim, ambos estão ali. Raros são os casos nos quais o espírito do médium é deslocado a outras paragens a fim de que permaneça, no momento da incorporação, apenas o espírito do guia.

Abrir mão do controle do corpo, transferindo-o a outro alguém, no caso, o guia espiritual, requer quietude na mente e confiança para que o transe mediúnico seja uma boa experiência, mesmo porque há um deslocamento natural do espírito do médium nesse momento e, se a pessoa não estiver firme e segura em sua fé, tal deslocamento pode causar pânico comprometendo assim seu desenvolvimento mediúnico e a incorporação.

Por essa razão é que se vê muitos médiuns “chacoalhando” no momento de incorporar, é o medo, na maioria das vezes, que limita o médium e causa a maior parte do mal estar nas primeiras incorporações. Com o tempo, todo esse medo e mal estar tende, naturalmente, a passar.

Uma boa educação mediúnica é fundamental para que o médium evolua, para tanto, o apoio dos mais experientes e o estudo, colaboram para que a cada gira o médium vá adquirindo mais confiança e consequentemente passe a não mais sentir mal estar algum.

 “Incorporação sonambúlica” ou “incorporação com desdobramento astral” são casos raros de incorporação inconsciente. Na maioria das vezes esses médiuns, inconscientes, são extremamente resistentes à incorporação e, em alguns casos, o espírito do médium fica ali, no chão do terreiro dormindo enquanto o guia espiritual trabalha utilizando seu corpo.

Há, ainda, casos nos quais o espírito do médium, por desdobramento astral, sai e vai realizar tarefas em outros planos, outra possibilidade é o espírito do médium observar tudo o que está acontecendo, acordado, porém sem interferir, inclusive podendo ver seu corpo incorporado pelo guia. Todos esses casos se encaixam na mecânica de incorporação inconsciente.

Outra questão interessante é que alguns médiuns, semi conscientes, no momento da desincorporação, esquecem tudo o que houve, ou seja, o “choque”, no momento de desincorporar, apaga da memória do médium tudo o que o guia fez ou falou durante a incorporação. Nesse caso o médium também é inconsciente.
                                                                                                   
Se existe incorporação ideal a semi consciente é forte candidata ao título porque possibilita o aprendizado, a troca, as sensações, com isso dando chance de crescimento ao médium através do conhecimento dinâmico, além de exercitar a questão da meditação no que se refere ao silenciar da mente para que a entrega do médium seja plena e produtiva.

Chico Xavier, na obra “Mandato de Amor”, fala sobre a “Mediunidade Inter existente”.

Ele relata no livro sua experiência de desdobramento astral enquanto, na Terra, seu corpo psicografava sob a influência de outro espírito.
Chico fora chamado, em espírito, para servir de ponte (médium), no plano espiritual, portanto, diante de tal fato podemos concluir que a mediunidade é inerente ao plano físico e ao espiritual. Classificar, porém, a mediunidade de Chico Xavier em consciente ou inconsciente é impossível.

Chico possuía a maioria dos dons mediúnicos.

Lapidar as faculdades mediúnicas requer tempo, calma e muita confiança em si, na casa escolhida, em seus dirigentes e principalmente em seus guias/mentores.

No inicio todo médium sente insegurança, se questiona sobre a autenticidade da comunicação que está dando, porém, creio que, ter em mente que incorporar é uma parceria entre você, médium, e seu guia espiritual, seja uma boa maneira de, aos poucos, ir adquirindo confiança.

Na incorporação são duas inteligências interagindo, trabalhando e cada uma colabora com o conhecimento que tem. Essa troca é maravilhosa e permite tanto ao médium quanto ao espírito, aprender a cada gira algo mais.

O termo “cavalo” na Umbanda significa médium, não apenas um aparelho para comunicação entre planos, mas alguém vivo que, em algumas ocasiões, pode ser conduzido/guiado, por isso a entidade espiritual é chamada guia e o médium cavalo.

A metáfora do cavalo é muito interessante, expressa a força, o vigor, a vontade, enquanto que o termo aparelho é frio. Sem dúvida o termo mais adequado, nos dois casos, é médium, porém, a referência ao cavalo, pode significar abrir mão de suas necessidades para ser guiado.

Há ainda a questão do cavalo selvagem (médium em desenvolvimento) que precisa de adestramento a fim de adquirir habilidade e doçura. Parte do adestramento é feito pelos guias que, com muita paciência e calma, tornam dóceis seus cavalos (médiuns) outra parte do adestramento fica por conta do cavalo (médium) que responde, ou não, à doutrinação/adestramento.

Caso o médium seja egocêntrico, encontrará muita dificuldade em incorporar porque esse ato exige entrega, humildade e abandono do ego para que aconteça.

Psicofonia não é incorporação, é apenas e tão somente a fala do espírito enquanto que, incorporar, significa interagir com o outro de forma tal que ao espírito o médium permite que se manifeste, através dele, não apenas sua inteligência, mas também os modos com os quais deseja ser reconhecido, por exemplo, se a entidade quer se manifestar como Preto Velho, normalmente se apresenta com as costas arqueadas, caminhando devagar como lhe pesassem os anos no corpo.

Incorporar é permitir, ao espírito, que se apresente como é, ou como seja mais conveniente ao trabalho da casa. Para tanto o ego deve ser posto de lado, caso contrário não acontecerá incorporação.

Incorporar é abandonar, temporariamente, seu lugar no mundo material para viver a força e a energia do plano espiritual, cedendo aos espíritos seu corpo para que eles nele se manifestem a fim de praticarem o bem e de promoverem a paz, o amor, a força, a energia que cura.

Todo médium de Umbanda tem o dever de não apenas incorporar as entidades, mas buscar incorporar, em sua vida, seus ensinamentos e valores que jamais perecem. Valores esses que nos acompanham em todos os momentos de nossas vidas. Essa é a incorporação mais bela, mais eficaz.

A questão dos arquétipos na Umbanda tanto pode confundir, quanto fascinar. Todos buscam por heróis em suas vidas e, na Umbanda, as entidades espirituais, de alguma forma, se tornam heróis de seus médiuns e dos consulentes.

O Caboclo traz o arquétipo do índio, do homem forte, em pleno vigor da juventude, o Preto Velho simboliza o homem sábio, maduro, o homem que sofreu pela agressão da escravatura e assim por diante, porém, nem sempre um caboclo foi, em sua última encarnação, um silvícola, e nem todo Preto Velho foi escravo.
O que ocorre é que alguns espíritos se valem desses arquétipos a fim de trabalharem na corrente astral de Umbanda.

A mediunidade para fluir, de forma natural, precisa que haja entrega, como quem se entrega a uma loucura, para que a mediunidade flua e se desenvolva eu preciso baixar o meu racional, eu tenho que parar de questionar para a mediunidade acontecer, para ela fluir.

 A mediunidade de incorporação é um momento de loucura, de desvario que você se entrega. É como uma embriaguez, na qual você docemente se entrega à embriaguez, e é conduzido. E você está se observando quase que de fora e ao mesmo tempo sentindo de dentro para fora tudo o que está acontecendo como uma loucura.
Talvez, por isso, Zélio de Moraes tenha sido considerado louco quando de suas primeiras incorporações.

A incorporação de Umbanda é um contato místico, é uma loucura divina.

Na Bíblia há a seguinte passagem: 
“A loucura, a loucura de Deus... A loucura dos homens é a sanidade para Deus, a loucura de Deus é a sanidade para os homens”.

O contato com o sagrado, com o divino de forma direta é algo inexplicável. Quando o que você está vivendo é algo inexplicável para o outro isso é considerado loucura porque você vive algo inexplicável.
É uma loucura, mas é uma loucura sadia, é uma loucura saudável, é, enfim, loucura no bom sentido.

Mediunidade, enquanto uma loucura de Deus, uma loucura sagrada, é algo que dá sentido à vida. É diferente da histeria, dos desequilíbrios.

Qual é a diferença entre doença mental, histeria e mediunidade?

A mediunidade tem hora e lugar para acontecer. A mediunidade dá sentido à vida e é essa a grande diferença entre patologia, psicopatologia e mediunidade.

Ao médium ostensivo, praticar/educar a mediunidade é uma questão de saúde, tal prática equilibra, acalma e dá condições de vida saudável ao médium.

Na Umbanda, o ritual é Sagrado e é ele o responsável pela “domesticação” do “Cavalo Selvagem” (médium).

A ritualística de Umbanda coloca a mediunidade no seu devido lugar.

Quando um médium em desequilíbrio, que não sabe o que fazer com a sua mediunidade, chega num Terreiro de Umbanda, onde todos têm o mesmo dom, todos têm o mesmo tipo de mediunidade que ele, a tendência é que se sinta confortável e confiante. Dessa maneira, cessam as manifestações a esmo e se inicia uma jornada prazerosa porque quando eu não sei o que fazer com a minha mediunidade, então, eu reprimo. Quando a mediunidade está reprimida, começa a estourar, metaforicamente falando, ela estoura em qualquer lugar e isso não é bom nem tampouco conveniente.

Quando o médium não trabalhado, não desenvolvido, lapidado, não sabe o que fazer com a sua mediunidade, e a está reprimindo, quando esse médium sofre desequilíbrios emocionais, essa mediunidade aflora desequilibrada causando transtornos.

É isso que atrapalha a vida, atrapalha a vida você ter mediunidade e não saber o que fazer com ela.

A partir do momento em que você estuda a sua mediunidade, você lapida a sua mediunidade, que você trabalha a sua mediunidade, que você conhece a sua mediunidade, que você traz a sua mediunidade pra dentro de um ritual, que esse ritual educa e que existe uma educação mediúnica, uma doutrinação mediúnica, um direcionamento para sua mediunidade, então, essa mediunidade deixa de ser algo reprimido, pra ser algo trabalhado.

No momento em que você perde o medo da mediunidade, você perde o medo dos espíritos, você perde o medo do que está acontecendo e você começa a trabalhar com isso de uma forma natural, essa mediunidade encontra espaço para se manifestar então, isso deixa de ser um problema. Você deixa de ser um joguete, você deixa de ser um sofredor pra ser um doador da multiplicação, essa é a multiplicação dos pães, essa é a multiplicação do vinho em que você deixa de ser um sofredor, você deixa de sofrer por conta de uma mediunidade mal trabalhada.

 E agora por conhecer o dom, você por meio da mediunidade, como uma ferramenta tendo lugar e espaço para se manifestar você consegue ajudar você mesmo e ajudar o próximo. E ajudar a você mesmo em primeiro lugar, porque a mediunidade permite o contato com os meus Guias. Quem são os meus Guias? Eles são a minha família. Esses Guias, esses mentores são a nossa família, são pessoas que nos amam.

O contato com esses espíritos, a aproximação dos meus Guias imediatamente traz qualidade de vida pra mim porque estou me aproximando daqueles que me tem amor, daqueles que me querem bem, daqueles que estão me dando orientação. Eu passo a ser o primeiro e o maior beneficiado da mediunidade e dos dons mediúnicos.

Então, essa conversa de que meu Guia ajuda todo mundo, mas não me ajuda isso é conversa de mediunidade mal trabalhada e de pseudo-humildade. Nós não podemos nos fazer de coitadinhos no que diz respeito à mediunidade pra usar esse subterfúgio do coitadinho para os outros terem pena de mim e pensar: “Nossa como ele é caridoso”.
“Os Guias dele ajudam todo mundo, mas ele é tão pobrinho, tão coitadinho”. Nós somos os primeiros e os maiores beneficiados da manifestação mediúnica é fato e é certo. Se os meus Guias quando incorporam em mim, ajudam outras pessoas em primeiro lugar eles estão ajudando a mim.

Até porque o simples ato e fato de incorporá-los muda o meu padrão vibratório, a minha energia e eu estou aprendendo com aqueles que me tem amor, que querem o meu crescimento.

Anna Pon

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)


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