Batismo na Umbanda (um exemplo de ritual)


Batismo na Umbanda
Por Lurdes de Campos Vieira e Rubens Saraceni 


O batismo é o ato divino que reveste o espírito e o mental da criança com uma aura protetora semelhante à proteção divina que o espírito recebe ao reencarnar. 

Ele poderá ser feito para qualquer pessoa, não importa a idade. Deve ser feito, preferencialmente, nos sete primeiros meses de vida da criança, mas poderá ser realizado para crianças até sete anos de idade. 

Após os sete anos, faz-se a conversão do fiel, com o batismo e a imantação na nova religião, que passa a amoldar sutilmente o espírito nas suas irradiações. 

O batismo é o sinal de entrada na religião, no Templo, onde o batizando se torna filho de Olorum (Deus) e seguidor de Pai Oxalá, passando a fazer parte de seu “exército branco”. 

Ele é o primeiro e o mais importante dos sacramentos, pois é a porta de entrada para o recebimento das bênçãos divinas e dos demais sacramentos. 

O sacramento do batismo existe desde a Antiguidade e, praticamente, em quase todas as religiões. As preces, toques, cantos e ritos do batismo na Umbanda compõem a linguagem expressiva de nossa religião, em um cerimonial litúrgico poético, santificado e participativo da vida divina. 

Pelo batismo a pessoa é incorporada ao Templo de Umbanda e constituída como um novo irmão, passando a ter direitos e deveres próprios da religião. Por isso é conveniente que a preparação e a celebração do batismo ocorra na comunidade religiosa frequentada pelos pais, no caso de crianças, ou pelos amigos e parentes, no caso de adultos. Isto facilitará a integração do novo membro. Em caso de um dos pais ser de religião diferente, esta deverá ser respeitada, tanto quanto a Umbanda. Sugerimos que as pessoas a serem batizadas, maiores de sete anos, tenham iniciação na Doutrina e na vivência dos Rituais de Umbanda, para que coloquem em prática, o mais cedo possível, as virtudes fundamentais para seu crescimento espiritual.  

PREPARAÇÃO PARA O BATISMO 

O altar deverá estar devidamente organizado, iluminado e enfeitado com flores. Em frente do altar, poderá estar arrumada uma mesa, ornamentada com uma bela toalha branca rendada. Sobre a mesa, deve haver água, banha de carneiro (também conhecida como banha de ori), pó de pemba ralada ou pemba bem mole. Deve haver, também, uma vela grande, enfeitada com fita de cor clara, para cada criança a ser batizada. 

O(a) sacerdote (sacerdotisa) poderá realizar vários batizados no mesmo dia. 

Outras velas brancas de batismo deverão estar sobre a mesa. Salvo casos excepcionais, os padrinhos deverão ser pessoas adultas (com mais de dezoito anos), seguidoras da religião de Umbanda Sagrada.  

O TRABALHO 

Fazer a abertura completa do trabalho, normalmente, com o Hino da Umbanda, canto de abertura, defumação, louvor ao Pai Oxalá e às Sete Linhas e saudação a Exu e Pombagira. Lembrem-se de que mesmo as crianças de colo são levadas à rua e elas têm sua esquerda, que já as assume em suas caminhadas. 

EXPLANAÇÃO 

O(a) dirigente poderá explanar sobre a doutrina, sobre o sacramento que será realizado, sobre a necessidade e os benefícios do batismo. Poderá orientar os fiéis quanto à importância de se ter uma religião e do cultivo da religiosidade.  

O RITUAL DO BATISMO 

A Curimba, durante toda a cerimônia, poderá cantar hinos e pontos, relacionados ao culto e aos Orixás evocados. O(a) ministrante deverá coordenar o propósito do culto do dia com as necessidades da assistência (fiéis): • Em caso do batismo de criança, deixá-la no colo da madrinha e entregar a vela batismal branca aos pais, que deverão segurá-la acima da cabeça do bebê. Perguntar aos pais se desejam batizar a criança na Umbanda. • Se for batismo de pessoa adulta, entregar a vela a ela e perguntar-lhe se deseja ser batizada na Umbanda, de livre e espontânea vontade. • Pedir ao nosso Divino Criador, Olorum, e ao nosso Pai Oxalá, a imantação da água, dando a ela o poder de purificar o mental de (nome da criança). • Apresentar a Olorum (Deus) a pessoa a ser batizada. Pegar a criança, ajoelhar e apresentá-la a Olorum e a Oxalá, dizendo o nome civil da criança: 

“Amado Criador Olorum, amado Pai Oxalá, eu vos apresento (nome da criança), para que iluminem sobre ela e ela seja reconhecida, iluminada e amparada por Vós nesta vida. • Determinar o par de Padrinhos Divinos da pessoa a ser batizada. • Conceder a um homem e a uma mulher a honra de representarem aqui na Terra o par de Padrinhos Divinos. 

Cada padrinho deverá segurar na mão direita uma vela batismal branca, que representa o padrinho / madrinha divino. • Posicionar os padrinhos ao lado dos pais da criança ou da pessoa, se for adulto. • Iniciar o batismo da pessoa, purificando sua coroa ou ori, com a água já imantada, pedindo a anulação das imantações, até de outras vidas. 

A água imantada anula batismos anteriores, instala a vibração da nova religião e protege o mental da pessoa, pois é condensadora e concentradora da água espiritual. 

• Pegar um pouco de banha de carneiro com os dedos e passar ao redor do chacra coronal, como uma auréola ao seu redor e fazer uma cruz em cima. A banha de carneiro fecha a auréola e segura a vibração que vem, pois é condensadora dessa vibração divina. Isso é uma proteção, para que, dali em diante, a pessoa não receba vibrações negativas. 

A coroa fica fechada, com acesso apenas ao regente dela. Na sequência, pegar a banha de carneiro e fechar o chacra frontal, laríngeo, cardíaco e umbilical, as palmas das mãos e as solas dos pés, fazendo um círculo com uma cruz em cima. 

• Colocar um pouco de pó de pemba sobre a banha de carneiro, em todas as partes untadas com ela (ou riscar com pemba mole), para proteção do mental. 

• Cruzar a pessoa com uma vela batismal branca, que simboliza Olorum (Deus), pedindo ao Divino Criador Olorum e a nosso Pai Oxalá que irradiem sobre... (nome da criança) ..., envolvendo-a na sua aura divina que ira fechar em seu mental, imantando-a na sua aura vibratória da Umbanda, que a protegerá e a livrará de influências negativas. 

Pedir seu acolhimento e amparo na Umbanda, em sua caminhada na Terra. • Solicitar ao par de padrinhos que abençoem a pessoa batizada, em nome de Olorum e do Orixá que, ali, na cerimônia, está representando. 

ORIENTAÇÃO AOS PADRINHOS DA CRIANÇA: 

Pedir aos padrinhos que se ajoelhem, com a criança no colo, e façam voto, dizendo: “Amado Pai Olorum, amado Pai Oxalá, diante de Vós assumo o compromisso de segundo pai, segunda mãe, prometendo cuidar dela, sempre que necessário”. 

• A seguir, apresentar o(a) batizado(a) à comunidade: “Irmãos e irmãs, apresento-lhes o(a) nosso(a) novato(a) irmão(ã), (nome da pessoa batizada)”. 

ORIENTAÇÃO AOS PAIS, SOBRE A VELA BATISMAL E BANHO 

A vela batismal será levada para casa e guardada pela mãe. Essa vela é símbolo da Luz Divina e deve ser acesa, apenas quando necessário, posta sempre sobre a cabeça da criança e, de preferência, às suas costas. Se houver algum problema de causa desconhecida com a criança, acender a vela e elevá-la sobre a sua cabeça. O campo imantador da própria criança começará a se abrir e a criar a proteção e a limpeza necessárias. A cabeça da criança deverá ser lavada somente após 12 (doze) horas, depois do ritual de batismo. 

LIVRO DE BATISMO 

Providenciar as assinaturas no Livro de Batismo e entregar o Certificado do Sacramento aos pais ou à pessoa adulta. 

ENCERRAR O BATISMO, COM UMA PRECE DE BÊNÇÃO À PESSOA BATIZADA. 

Observação: 

BATISMO para crianças de 7 a 13 anos Dos sete aos treze anos, primeiro deverá haver a conversão da criança para a Umbanda, para depois ser realizado o sacramento do batismo. Se ela já foi batizada em outra religião, o(a) dirigente banha a sua cabeça, apresentando-a aos Orixás da Umbanda. Se nunca foi batizada, banha a cabeça, passa a pemba sobre os chacras e a apresenta aos Orixás. No caso do adulto, é uma conversão religiosa e deverão ser usadas as ervas arruda, alecrim e guiné. 

Texto extraído do livro “Manual Doutrinário, Ritualístico e Comportamental Umbandista - Coordenação de Lurdes de Campos Vieira / Supervisão de Rubens Saraceni - Editora Madras

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