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Mostrando postagens de Janeiro, 2020

PANTERA NEGRA : Exu ou Caboclo?

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PANTERA NEGRA : Exu ou Caboclo?  Por Edmundo Pelizari 
No rico universo místico da Umbanda, existem entidades pouco conhecidas e estudadas. 
Com o tempo, é natural que algumas delas sejam esquecidas por nós. Uma delas é Pantera Negra, celebrado por uns como caboclo e por outros como exu. 
Seu Pantera era mais conhecido pelos umbandistas de antigamente, quando muito terreiro era de chão batido, caboclo falava em dialeto, bradava alto e cuspia no chão. 
Nas sessões ele comparecia sempre sério, voz de trovão, abraçando bem apertado o consulente que atendia. Não gostava muito de falatório, queria mesmo é trabalhar. 
O tempo foi passando e raramente o encontramos nos centros, tendas e outros agrupamentos de nossa Umbanda. Aonde terá Seu Pantera ido? 
O falecido Pai Lúcio de Ogum (Lúcio Paneque, de querida memória), versado nos mistérios da esotérica Kimbanda, que se diferencia da popular Quimbanda e está distante da vulgar Magia Negra, dizia que Pantera Negra era chefe de uma Linha de Caboclos …

O Culto dos Caboclos Africanos na Umbanda

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O Culto dos Caboclos Africanos na Umbanda  Por Edmundo Pellizari 
Companheiros espirituais ainda pouco conhecidos na Umbanda, os Caboclos Africanos são entidades fortes, fiéis e muito alegres. 
Eles vieram das profundas selvas africanas, dos antigos quilombos brasileiros e das distantes ilhas do Caribe. 
Quando chegam no terreiro soltam seus gritos de guerra: 
“Huia!”, “Huhuia!”, “Hui!”. 
Gostam de trabalhar com bom charuto, cachimbo, pembas coloridas e ervas medicinais. 
Sentam-se no chão, olham fundo nos olhos dos consulentes, cumprimentam com força e passam muita confiança. 
A maioria destes espíritos apresenta influências bantu na linguagem, roupagem e modos. A sensação é que estamos falando com um Preto Velho, mas sem a presença do banquinho e das palavras doces. 
Os Caboclos Africanos usam linguagem mais firme, expressões mais coloridas e palavras menos simbólicas. Vão direto ao assunto. 
Pai Manuel da Serraria, velho umbandista e juremeiro, dizia com seu humor habitual: 
- “Esses cabocl…

Pai Sumé O Espirito Guardião do Brasil

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Pai Sumé O Espirito Guardião do Brasil  Por Edmundo Pellizari 
Pai Sumé ou Suman é considerado o protetor da terra do Brasil. 
Este ensinamento tradicional é conservado por alguns pajés indígenas e caboclos. No Brasil existem dois tipos básicos de Pajelança (Xamanismo Brasileiro): a Indígena e a Cabocla. 
A Indígena é a tradicional e milenar arte do pajé e não possui elementos “brancos”. 
A Cabocla é derivada da anterior e adotou elementos não indígenas das religiões cristãs e africanas. Ambas tradições são um tesouro espiritual para todo o brasileiro. Para o sábio da floresta a Natureza é viva e tem alma. 
A Mãe Terra respira, canta e sente dor. Os bichos tem sua inteligência e parte invisível. Tudo tem uma hierarquia e nada fica solto sem nome ou lei. Portanto, cada coisa tem o seu lugar e uma ordem. 
Montanhas, rios, grutas, florestas e todos os viventes possuem um guardião. Ele é o responsável pela harmonia local e deve responder ao seu superior. Desta maneira, cada elemento da Naturez…

Alce Negro e o Cachimbo Sagrado da Paz

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Alce Negro e o Cachimbo Sagrado da Paz  XAMÃ HEHAKA SAPA (ALCE NEGRO)- OGLALA SIOUX 
Há uma história de como o cachimbo primeiro veio a nós. 
Faz muito tempo atrás, dizem, dois caçadores estavam fora procurando por bisões; e quando chegaram ao topo de uma alta colina e olharam para o norte, viram algo surgindo a uma grande distância e quando chegou mais perto gritaram: 
“É uma mulher!”, e era. 
Então um dos caçadores, sendo estúpido, teve maus pensamentos e os falou, mas o outro disse: 
“Esta é uma mulher sagrada. Jogue fora todos os maus pensamentos”. 
Quando chegou ainda mais perto, eles viram que ela usava um fino vestido de pele de gamo, que seu cabelo era muito longo e que ela era jovem e muito bela. Ela sabia seus pensamentos e disse em uma voz que era como um canto: 
“Vós não me conheceis, mas se quereis fazer como pensais, podeis vir”. 
E o estúpido foi; mas assim que parou diante dela, fez-se uma nuvem branca que veio e os cobriu. E a bela e jovem mulher saiu da nuvem, que quando se…

Deusa Ceuci e Jurupari

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Deusa Ceuci e Jurupari POR ROSANE VOLPATO
Ceuci é a “Virgem Maria” da teogonia Tupi, pois também ela teve um filho de uma concepção miraculosa. 
Segundo a lenda, Ceuci descansava à sombra da árvore do bem e do mal, quando avistou seus frutos grandes e maduros. Não resistindo, apanhou e comeu uma de suas frutas e o seu caldo escorrendo pelo seu corpo nu alcançou o meio de suas coxas. 
Meses após, revelou-se uma gravidez que encheu de indignação toda a comunidade de sua aldeia. O Conselho de Velhos, achou por bem, puni-la com o desterro. 
Ceuci teve seu filho muito longe da aldeia de deu-lhe o nome de Jurupari, futuro legislador, que veio mandado pelo sol para reformar os costumes da terra e também encontrar nela uma mulher perfeita com quem o sol pudesse casar. 
À medida que o menino cresceu foi afastando-se da mãe e muito jovem já era considerado o “Moisés” dos tupis. Para que os homens aprendessem a viver independentes das mulheres, Jurupari instituiu grandes festas que só eles podiam tom…

INDIAS DEUSAS BARTIRA

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ÍNDIAS DEUSAS - BARTIRA  Por Rosane Volpato 
Na encantadora ilha de Urubuquiçaba, que fica entre os formosos montes Mandubas e verdes montanhas Japuís, perto da lendária Porchá, costumava banhar-se nas claras águas da branca praia, em frente a grande planície, a jovem Bartira. 
A linda guerreira, filha de Tibiriçá, fizera da lendária ilha o seu ponto preferido. Sem saber, caminhava a jovem para a imortalidade, pois a parte do mundo onde nasceu, iria chamar-se Piratininga. 
Um dia, quando a guerreira despertou, já caminhava no meio do céu o sagrado deus Guaraci, nenhum vento rude soprou, a bela região lhe sorria pacífica e o Senhor do Dia, brilhava majestoso no céu azul. 
A donzela ergue-se e virando-se viu surgir um guerreiro branco, apresentando musculoso corpo e belo aspecto, não devendo nada aos sacros deuses. Deixando a sombra dos angicos, o estranho disse à Bartira, que já estava vivendo ali há muitos dias e que gostaria imensamente de conversar com ela, beijar-lhe inocentemente a m…

ÍNDIAS DEUSAS - MOEMA

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ÍNDIAS DEUSAS - MOEMA  Por Rosane Volpato  
A história de uma nação é escrita de muitas maneiras. 
Uma das mais fecundas é através do conhecimento das realizações e idéias que pairavam sobre este povo. Me atenho neste momento a estudar os ideais, as ambições, o estado de espírito e as contradições da época predominantes na vida de nossas ancestrais índias. 
Falar sobre esta energia radiante feminina é descobrir como o pais nasceu, cresceu e se consolidou como nação. Acompanhar a vida destas mulheres aqui evocadas é enxergar os momentos decisivos da nossa história pelos olhos de quem estava no redemoinho dos acontecimentos. 
MOEMA 
Desde o fértil rio Itapirucú, até o profundo Mucurí, dominava a próspera nação dos Paraguás, irmã dos Tupis e com os Tamarés comerciavam, vivendo em paz e serenidade. 
Taparica, o invencível e grande chefe, dominara certa vez, no alto da serra dos Maracás, em luta singular, o terrível Jacaré Sagrado, que todos os meses danificava as plantações e devorava, por ord…

Jurema A Recriação Contemporânea de um Mito

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Jurema A Recriação Contemporânea de um Mito  Por Marcelo Bolshaw Gomes 
Dentre os estudos da antropologia brasileira, a Jurema ocupa um lugar singular. 
O próprio termo comporta denotações múltiplas, que são associadas em um simbolismo complexo. 
Além do sentido botânico, a palavra Jurema designa ainda pelo menos três outros significados: 
1. Preparado líquido à base de elementos do vegetal, de uso medicinal ou místico, externo e interno, como a bebida sagrada, “vinho da Jurema”; 
2. cerimônia mágico-religiosa, liderada por pajés, xamãs, curandeiros, rezadeiras, pais de santo, mestras ou mestres juremeiros que preparam e bebem este “vinho” e/ou dão a beber a iniciados ou a clientes; 
3. Jurema sendo igualmente uma entidade espiritual, uma “cabocla”, ou divindade evocada tanto por indígenas, como remanescentes, herdeiros diretos em cerimônias do Catimbó, de cultos afro-brasileiros e mais recentemente na Umbanda. 
Numa primeira fase da colonização, a resistência dos povos indígenas no Nordest…

A HISTÓRIA DE ARARIBÓIA

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A HISTÓRIA DE ARARIBÓIA 
Araribóia existiu. 
Chefe indígena da tribo Temiminó, um grupo Tupi, vivia numa das ilhas da Baía de Guanabara. 
Ali os temiminós eram minoria. 
A tribo Tamoio, com 70 mil índios, dispersa entre a Guanabara e a região onde hoje se localiza a cidade de Bertioga (SP), detinha folgada superioridade numérica contra os temiminós, que só contavam com 8 mil cabeças. 
Os tamoios, liderados pelo chefe Cunhambebe, eram aliados antigos dos franceses, que viviam tentando invadir a Baía de Guanabara. 
Em 1555, depois de subjugar os temiminós e os portugueses com a ajuda de Cunhambebe, a França passou a dominar a Capitania do Rio de Janeiro. O Reino de Portugal mandou então para o Brasil o terceiro governador-geral da colônia, Mem de Sá, com a missão de retornar ao Rio. 
Selando uma aliança com Araribóia, os portugueses conseguiram. O chefe indígena recebeu como gratidão a sesmaria de Niterói, onde passou a morar, converteu-se ao cristianismo e tornou-se íntimo do governo. 
Adotou…

O SAGRADO NAS CULTURAS INDÍGENAS

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O SAGRADO NAS CULTURAS INDÍGENAS  POR BENEDITO PREZIA 
“Há cinco séculos enfrentamos a evangelização no Brasil. Dentro desses séculos, só vimos a dominação, a exploração e o extermínio do nosso povo e a perda da nossa identidade cultural indígena. 
Para nós, a Boa Nova já existe dentro das nossas convivências”. 
Esse brado em defesa da cultura e da religiosidade indígenas, foi lançado pela delegação de povos nativos, presente ao V Congresso Missionário Latino-Americano, o COMLA-5, em Belo Horizonte, em julho de 1995. 
É também um desafio lançado às Igrejas cristãs, que muito pouco conhecem e respeitam essas expressões religiosas. Durante muito tempo falou-se em índio, como se fosse uma categoria única, biológica, sem levar em conta a realidade cultural. Esse conceito foi uma criação colonial, baseada num erro histórico, já que navegantes espanhóis, ao chegar nas Antilhas, acreditavam ter chegado nas Índias. 
Na realidade o que existe é uma variedade enorme de povos com história e culturas…