Análise comparada do Orixá Pomba-Gira




Análise comparada do Orixá Pomba-Gira 
por Alexandre Cumino 
 
Olá a todos, gostaria de dizer que estou muito contente com esta oportunidade em abordar um assunto ao mesmo tempo novo e delicado em nossa religião. Em outras culturas há um relacionar-se com este mistério por meio de outros nomes, no texto Geografia dos Orixás, texto de apoio da Aula 02 (Teologia de Umbanda), encontramos este texto abaixo: 
 
Também chegou até a Bahia o culto a Iya Mapo, patrona da vagina, por ser através dela que todos os seres humanos vêm ao mundo, daí a sua sacralização. 

Iya Mapo é muito venerada e cultuada em Igbeti. Existe um itan Ifa ( história de Ifa), pertencente ao odu Osa Meji (10), que conta como foi colocada a vagina no devido lugar da mulher, até então colocada em vários lugares do corpo, menos no que é hoje. Para isso estiveram envolvidos não só o Odu osa meji, mas também Esu e Iyami Osoronga, num ebó feito com duas bananas e um pote, cabendo a Esu a sua localização atual, bem como a do pênis do homem do qual Esu é o dono. 
 
Embora na Umbanda nem Exu e nem Pomba Gira tenham, e nem devem ter, toda essa conotação sexual, mesmo porque seu símbolo está relacionado, aqui em nossa religião, ao Tridente quadrado ou redondo como “totem” de poder; ainda assim é um meio de encontrar uma relação entre a citada Iya Mapo e Pomba-Gira. Se não usamos para Exu ou Pomba-Gira os órgãos sexuais como simbolismo é porque sua atuação não se limita a uma questão apenas sexual ou de procriação. 

É fácil compreender a importância do simbolismo genital em uma sociedade tribal em que um de seus valores maiores está na procriação em que, por se tratar de outra cultura, não há pudores. 

Assim como os índios, os Nagôs não escondiam seus órgãos sexuais e andavam nus como Adão e Eva, já que seu “paraíso” sempre esteve aqui neste mundo. Mas assim como chifres e rabo, já foram símbolo de poder em outras culturas, atualmente não há muito sentido em colocarmos os mesmos em nossas entidades, pois contrário a representar um poder serve como “munição” ao preconceito, discriminação e demonização de nossas entidades. 

Uma pedra, um bastão, um cajado, uma flauta já são fálicos por natureza, nada justifica a utilização de “próteses” ou falos detalhadamente confeccionados, como um pênis ereto adornando uma “tronqueira”, subentendendo e limitando a ação da divindade a uma questão sexual, dando uma conotação que evoca um simbolismo outro a partir da cultura brasileira que é a base de nossa Umbanda. Portanto, nem tudo que é bonito no discurso ou teoria vai para a prática se o simbolismo usado não encontrar eco em nossos corações, nem pintado de ouro. 

Mas voltando à questão da Divindade, Trono do Estímulo, Orixá Pomba Gira, também vamos encontrar uma relação com a divindade “Iyamin Oxorongá” que faz parte de uma sociedade feminina africana (Nagô) e são muito temidas. Para alguns, Iyamin são todas as mães em sua origem e aspectos negativos ou primordiais, para outros, é uma temida mãe original. De qualquer forma é uma “Deusa”, um dos aspectos do Feminino Sagrado. Consideradas Mães Feiticeiras, “As Senhoras do Pássaro da Noite”, guardam e têm semelhanças com a Divindade Pomba-Gira. 

Na Índia, as Guardiãs de Kali se mostram de forma idêntica às Pomba Giras, inclusive com a pele avermelhada. As imagens de Pomba Giras nuas e vermelhas nos lembram algumas das Naturais de Pomba-Gira, entidades não humanas que habitam uma dimensão ou reino regido pelo Orixá Pomba-Gira. 

As naturais não costumam incorporar e nem trabalhar com médiuns de Umbanda, a exemplo de Exu, nos relacionamos com nossa Pomba-Gira de Trabalho e temos o amparo de nossa Guardiã Pomba-Gira. Todo médium tem uma Pomba-Gira de Trabalho, uma Pomba-Gira Natural e uma Pomba-Gira Guardiã, além das Pombas-Giras auxiliares que trabalham junto de nossos guias e Orixás. 
 
Há uma relação estreita entre as divindades do Amor e Pomba-Gira como Divindade da Paixão, assim Oxum e Pomba Gira têm uma relação especial e, da mesma forma, veremos divindades do amor que trazem em si aspectos desta paixão, ou melhor, do mistério de Pomba-Gira, mesclados ou não com um arquétipo guerreiro. 

A divindade sumeriana/babilônica Astarte representa tanto o Amor quanto a paixão, seu nome quer dizer “O Ventre”, ela era associada ao Planeta Vênus, à Estrela Matutina. Aparecia nua montada em uma leoa, segurando em uma mão um espelho e em outra uma serpente. 

Com a expansão do judaísmo, seu nome foi deturpado para Astoré, “coisa vergonhosa”, e considerada um demônio babilônico; suas cores são o branco e o vermelho, representando o sangue e o sêmen. 

O mesmo fizeram com a divindade Lilith Sumeriana, que é uma mãe do amor, da sexualidade e da força feminina. Nas escrituras judaicas ela aparece como a primeira esposa de Adão, que por não aceitar ser submissa foi trocada por Eva. 

A divindade grega Nêmesis também teve sua imagem deturpada, era originariamente uma guardiã do mundo dos mortos e executora da justiça de Themis, castigando os mortais transgressores. 

Hécate, Senhora da Magia e da Noite, assim como todas as outras deusas que trabalham o negativo, o escuro ou as paixões, também tem relação com Pomba-Gira e também foi deturpada. Filha dos Titãs Parses e Astéria, era cultuada nas encruzilhadas assim como Trívia. Faz parte dos mistérios de Eleusis por ter uma relação de muita proximidade com Perséfone e Deméter, que passa seis meses no mundo subterrâneo e seis meses em terra.  Ajudou Deméter a procurar sua filha Perséfone quando esta foi sequestrada pela divindade do mundo subterrâneo Hades (Omulu), na ausência de Deméter, assume o posto de Rainha do Érebo. 
 
O objetivo deste texto foi mostrar algumas das divindades que podem ser associadas ao Orixá Pomba-Gira, e mais uma vez lembrar como a tradição judaico-cristã demonizou o que não conseguiu absorver, assim como o fato de muitas divindades conhecerem e trabalharem nossas sombras e paixões não implica que as mesmas sejam negativas ou negativadas, e nem sempre são tronos opostos. 

Espero que o texto sirva de colaboração para uma melhor compreensão deste mistério na Umbanda, a Mãe Orixá Pomba-Gira.  O Mais importante é reconhecê-la como um dos aspectos do feminino sagrado, uma das divindades femininas, uma “deusa”, a manifestação de Deus por meio de uma de suas faces femininas. 

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