Entidades e Médiuns de Umbanda (Uma reflexão atual)





Olá!

Antigamente, uma vez desenvolvido, o médium de Umbanda seguia com um determinado grupo de entidades e assim continuava até o "fim", ou de sua vida ou de sua missão na religião.

Hoje em dia isso mudou muito. Creio inclusive que a dinâmica, no sentido de disponibilidade de médiuns e entidades mudou, algo aconteceu porque o que se verifica, com certa frequência, embora não seja a troca de uma entidade por outra, é a facilidade que os médiuns têm encontrado para trabalhar, por exemplo, com mais de um Exu ou Preto Velho. Quando menos o médium espera, pronto, no momento da incorporação ao invés do esperado é outro que chega se apresentando para o trabalho.

Fico pensando sobre qual seria a razão dessa mudança, passam, pela minha mente, algumas hipóteses, porém, só eles, entidades, podem nos esclarecer melhor.

Penso que há poucos médiuns disponíveis preparados para desempenharem a função pela corrente astral de Umbanda. Digo isso porque percebo que alguns médiuns, embora bons e dedicados, não se "encaixam", mesmo que queiram, nos trabalhos e dinâmica de giras da Umbanda.

A mediunidade tem várias faces, são muitos os tipos de mediunidade e na Umbanda a de incorporação é fundamental, apesar de ser, algumas vezes, confundida com vibração por leigos e inexperientes.

Médium vibrado é uma coisa, incorporado é outra e talvez seja essa uma das razões da grande confusão e até mesmo frustração de alguns médiuns que decidem experimentar a Umbanda como caminho para seu desenvolvimento mediúnico.

Por conta disso, talvez, médiuns de Umbanda estejam trabalhando cada vez mais com entidades antes desconhecidas que os elegem, ou selecionam, pelo simples fato de não encontrarem médiuns prontos, desenvolvidos, com facilidade.

Esta seria uma de muitas possibilidades.

Embora não pareça a principio, ao leigo que observa, a religião de Umbanda é exigente, é preciso preparo, disciplina, concentração, firmeza para seguir evoluindo pessoal e espiritualmente na religião.

Alguns que observam e pensam que tudo é festa, dança, canto, ao se engajarem numa corrente, com o tempo descobrem que as "coisas" não são bem assim, que o trabalho na Umbanda é sério, é compromisso.

Com o tempo vão descobrindo que fingir (mistificar) é perda de tempo e energia porque estão sendo observados o tempo todo e, em momento oportuno, quando menos se espera, vem a lição quase sempre dura e com ela vem a quebra da ilusão de quem pensa que engana tanto aos médiuns experientes quanto à espiritualidade que tudo vê.

Creio que essa busca por médiuns realmente comprometidos com o trabalho é que está gerando a flexibilidade entre médiuns e entidades, ou seja, estamos trabalhando sempre segundo as necessidades da casa e de seus frequentadores com entidades cada vez mais especializadas em determinados assuntos, portanto, com guias espirituais diversos.

Tal fato em nada diminui o trabalho, pelo contrário, acrescenta.

Assim como evolui o homem na Terra, evoluem também, no astral, os espíritos, por isso existem grupos especialistas e talvez seja essa outra das várias razões para que estejamos trabalhando com um grupo maior de espíritos em nosso dia a dia de terreiro.

Entendo que para alguns médiuns isso gere alguma confusão, mas, é só pensar bem que logo se chega à conclusão que é mais uma ferramenta que a Umbanda nos disponibiliza por conta do momento que vivemos no planeta tão carente e necessitado de Luz, compreensão e amparo.

É certo que devemos ficar atentos ao teor vibracional/energético da entidade que se apresenta, aliás, olhos e ouvidos bem atentos nesse momento é o que se espera, pois, podemos ser enganados a qualquer momento. O sucesso do embuste só se dá se o médium não souber reconhecer as sensações que o espirito lhe transmite, se seu linguajar for de baixo nível, se seus modos forem grosseiros, insinuando sensualidade vulgar, por exemplo, definitivamente não estará ali um autentico guia de Umbanda, mas, sim um espirito sem luz, necessitado de tratamento.

Trabalhar incorporado com espíritos diversos não é sinônimo de aceitar qualquer um que se apresente.

É preciso muito cuidado, filtro, experiencia, por isso a necessidade das giras de desenvolvimento que preparam os médiuns de forma adequada para que sejam formados e assistidos em segurança e sob o olhar dos mais experientes.

Todo médium iniciante, seja jovem, de meia idade ou maduro, deve passar pelo desenvolvimento antes de se aventurar em passes e atendimentos, seus guias somente se firmarão definitivamente depois desse processo que leva o tempo necessário de cada um, médium e espirito, sim, porque alguns espíritos estão aprendendo também a dinâmica da incorporação junto aos médiuns.

Pela delicadeza da formação mediúnica na Umbanda é que hoje em dia há muito trabalho para poucos médiuns bem formados e conscientes de sua função dentro da religião e em seu próprio cotidiano.

Alguns se aventuram sozinhos, sem a assistência da espiritualidade e da estrutura de uma casa bem montada com vistas ao bem tendo como base a caridade pura e simples.

A esses está destinado, fatalmente, o fracasso, a perda da mediunidade e o carma negativo acumulado. Infelizmente alguns continuam mesmo assim, mistificando, enganam, iludem aos outros, mas, principalmente, a si mesmos sem raciocinar que um dia responderão por seus atos.


A necessidade de amparo espiritual é muito grande e a Umbanda vem perdendo terreno em número de adeptos e simpatizantes. Outras religiões, que prometem mundos e fundos, estão se espalhando e ganhando cada vez mais a simpatia das pessoas, médiuns em potencial, que poderiam estar ajudando muito na corrente astral de Umbanda, se deixam levar por essa corrente que mais se assemelha à modismo que à fé pura e verdadeira.


O fato é que diante da situação estamos trabalhando com mais intensidade e permitindo que espíritos que deveriam se manifestar em outros médiuns, por falta deles, incorporem em nós, médiuns atuantes na Umbanda.

Se o fato nos sobrecarrega?

Creio que não porque os guias espirituais não permitiriam a sobrecarga, mesmo porque o fenômeno não ocorre aleatoriamente e sim sob supervisão e assistência da egrégora da casa que de antemão prepara defesas e oferece suporte para que todos os espíritos se apresentem e trabalhem com os médiuns em segurança e sob vigilância da guarda da casa.

O mundo gira, o tempo transforma tudo e todos inclusive as religiões, portanto, toda mudança, com vistas ao bem e ao progresso, deve ser muito bem-vinda e aceita.

Essa é apenas uma das muitas transformações que a Umbanda vem sofrendo com o tempo, outras existem como, por exemplo, a enorme diversidade ritualística de uma casa para outra por conta da influencia maior ou menor de outras religiões como o Candomblé, Kardecismo, Catolicismo, etc.

Poucas casas seguem as determinações do Caboclo das 7 Encruzilhadas e isto acontece há muito tempo. Cada templo aberto, depois da abertura das Tendas do Caboclo fundador da Umbanda, incorporou em seu ritual, fragmentos dos fundamentos de outros religiões resultando nessa imensa diversidade de ritos e formas de culto.

Não vejo nada de mal nisso, a não ser a enorme confusão que algumas pessoas fazem porque perdem a referencia do que seja cada religião confundindo uma com outra e o que é pior, afirmando que pratica a "verdadeira" Umbanda e que outras casas, que não a deles, não a praticam. Nesse ponto realmente as coisas se complicam, porém, é uma complicação meramente humana porque a espiritualidade não se detém na dificuldade de entendimento do ser humano, a eles, espíritos, o que importa é o trabalho, a evolução, o bem praticado.

Anna Pon
14.06.2018

Comentários

  1. Muito bom, Anna! Acontece muito em nosso Terreiro. Com frequência os médiuns se surpreendem com uma energia diferente se apresentando para o trabalho.

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