Pandemia 2020 no meio Umbandista




Estamos vivendo um momento difícil, complicado. Em todos os sentidos este momento não está sendo fácil. São muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, mas, a pior delas, na minha opinião, é a pandemia.

Não acredito que esse período, difícil, de incertezas, possa modificar alguém, talvez traga à tona a essência, mas, mudar, de uma hora para outra, inserido em  tamanha dificuldade, não creio seja possível, por essa razão escrevo uma reflexão sobre o período Pandemia 2020 no meio Umbandista, meio esse do qual faço parte. 


Quem é Umbandista sabe que a religião é, essencialmente, de contato. É tudo muito próximo, caloroso, o contato físico faz parte, os rituais são realizados com proximidade e o compartilhamento, de alimentos, por exemplo, também faz parte de toda a dinâmica de uma gira, seja aberta ao público ou não e a pandemia veio nos impondo o afastamento, a suspensão de nossas atividades em grupo.

Para alguns caiu como uma "bomba", para outros, necessidade de resignação, alguns receberam com indiferença, afinal, cada um reage à sua maneira, mas, acredito que todos foram e estão sendo afetados por que o distanciamento, dentro da nossa religião, é um acontecimento doloroso, um desafio que estamos tendo de lidar, querendo ou não, e é de extrema necessidade preservar a saúde e a pessoa está em primeiro lugar, aliás, deveria estar sempre.

Infelizmente alguns estão com a falsa sensação de segurança mantendo o frágil discurso dos cuidados a serem observados, mas, bem lá no fundo, não acredito que se sintam tão seguros assim porque todos sabem que o vírus segue circulando e não há, por enquanto, nem vacina, nem remédio, mas, algumas pessoas preferem o risco à paciência, à esperar o tempo certo para que o vírus conclua seu propósito. Acredito que há um propósito para a pandemia e que como cada um passa pela dificuldade determina sua força ou fragilidade para enfrentar os novos tempos que vêm por ai.

Não estamos isolados, o mundo inteiro está sofrendo a ação do vírus, por isso reafirmo, há sim um propósito e cabe a cada um de nós passar por isso da melhor forma possível, mas, acredito também que o momento seja de união no sentido de voltarmos o nosso olhar para o outro porque cuidar do coletivo significa cuidar de si mesmo e esse é um grande ensinamento que a humanidade vem, há séculos, negligenciando e se afastando, mesmo sem pandemia, do outro e de si mesmo.

Pular etapas, nesse momento é imprudente, revela nossa fé frágil, falta de paciência e cuidado. Alegar tédio, necessidade, não são bons argumentos, embora pareçam ser. Acredito no fortalecimento pessoal que o período oferece, na fé que não se abala e confia em tempos melhores entregando nas mãos do Criador o destino individual e coletivo. 

A paciência não é uma virtude com tempo de validade, exige disciplina, fé verdadeira, confiança nos desígnios do Alto, afinal não estamos passando por isso a toa, há sim uma mensagem para todos e para cada um, é um tempo de travessia, talvez, preparação para que uma nova consciência se desenvolva ou, quem sabe, volte à sua origem, à sua raiz.

Sem duvida é um tempo difícil no qual manter o equilíbrio é fundamental para que se mantenha a saúde física, mental, emocional e espiritual. Não estamos sós, nossos guias, mentores, benfeitores seguem ao nosso lado, resta saber se seguimos ao lado deles aplicando seus ensinamentos para a manutenção da paz e da harmonia em nossos espíritos.

Todos os dias somos manipulados pela mídia que relaxa ou restringe medidas de proteção à saúde pública, mas, muito mais importante que seguir quem nos manipula é seguir nossa intuição, aquela voz interior que fala conosco e nos conduz de forma tal que nossa consciência se mantenha tranquila, fortalecendo assim nosso corpo, mente e alma.

Não creio que a espiritualidade esteja necessitada de trabalho de incorporação, mesmo porque estão trabalhando muito nesse momento. São inúmeros resgastes, pronto-socorros erguidos no astral a fim de receber tantos que estão desencarnando, além do trabalho de apoio nos hospitais e comunidades sem recursos, ou seja, a espiritualidade está trabalhando muito e acredito que nós, seus médiuns, os ajudamos nos mantendo calmos, confiantes, realizando nossos pequenos rituais caseiros e nossas preces diárias, além de enviar boas vibrações e energias àqueles que nos procuram necessitados de toda ordem.

Concordo que o trabalho presencial faz muita falta, também sinto saudades, mas, acredito que passar por esse momento, esperando o tempo certo de voltar, seja uma das missões à nós confiadas. Cuidar de nós mesmos, fortalecer nossa fé e ajudar, mesmo à distancia, ao nosso próximo, com os recursos dos quais dispomos, nos habilitará, futuramente, a sermos melhores instrumentos para seguir servindo à espiritualidade. O tempo exige fé firme, coragem para vencer os desafios com esperança e muita fé, sem nos desviarmos dos nossos reais propósitos.

Não é fácil, é uma experiencia forte que exige muito de cada um para o bem comum.

Acredito que seja muito importante nos mantermos em harmonia, evitar conflitos desnecessários, evitar os falatórios fracos de conteúdo porque há uma onda negativa demais no ar pronta para arrastar quem com ela sintonizar, por isso, manter a calma, a prece, a confiança, a distancia que protege, mas, que não afasta, é o que a espiritualidade espera de nós, médiuns de incorporação de Umbanda, principalmente, porque, como já disse, somos trabalhadores habituados ao contato e tudo isso nos afeta mais de perto, porém, que nada afete nossa fé, disciplina e determinação para seguirmos juntos seja como for que Deus queira, mas, que continuemos esperando por Seu tempo, que sempre é o melhor para cada um de nós, seus filhos.

Anna Pon

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