O desenvolvimento da mediunidade na Umbanda

 


O desenvolvimento da mediunidade na Umbanda

O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais. Dispensou os atabaques e as palmas. Capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês não seriam aceitos. As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Os banhos de ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium. 

O ritual sempre foi simples. Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje. 

Já li comentários sobre pai Zélio sem cabimento, gente que nunca leu sobre ele, que desconhece sua história, se aventura pela internet emitindo opinião com desconhecimento de causa, pensa fazer bonito e acaba passando vergonha por tanta falta de conhecimento, enfim...digo isto porque outro dia li algo assim:

"Na casa onde me desenvolvo, o dirigente quer mudar o desenvolvimento dos médiuns, sem atabaques ou palmas, pretende que incorporemos no mais absoluto silêncio." 

É difícil opinar sobre o trabalho dos outros, não é mesmo? Porém, quando nos deparamos com casos assim, acredito que devemos nos posicionar e refletir:

A Umbanda é uma religião musical;

A arte é expressão do Divino e nos conecta lindamente com planos superiores, portanto, a música na Umbanda é sagrada, faz parte da maneira que expressamos nossa religiosidade e fé;

A dança, seja dos guias, ou dos representantes dos Orixás, também é manifestação do sagrado na Umbanda.

Umbanda é movimento, som, expressão corporal, canto, luz, tudo isso faz parte da religião, por isso achei curioso o posicionamento do dirigente em questão.

Talvez a intenção dele seja boa, talvez seu corpo mediúnico necessite dessa experiencia, talvez seja uma lição que o grupo deve assimilar, são tantas as hipóteses, que não cabem aqui, nesse despretensioso texto, mas me chamou muito a atenção por sua particularidade porque a Umbanda que vivo e conheço desde muito tempo, prevê canto, movimento, brado do caboclo, gargalhada de Exu e por ai vai. Umbanda no silencio, sem chamada de linha é muito estranho, como seria? Qual entidade se manifestaria? Seria incorporação aleatória?

Aprendi que na Umbanda o canto comanda o ritual, tudo acontece a partir dos pontos cantados, por isso, me causa muita estranheza pensar num grupo de médiuns mergulhados no silencio para manifestar as entidades, sinceramente penso que é um desenvolvimento sem bons resultados porque intimida muito o iniciante podendo até vir a bloquear sua mediunidade, essa é minha opinião.

No caso se manifestaria a entidade com mais afinidade com o médium, isso pode até ser, mas acredito que é um método muito complicado. Posso até estar enganada, pode ser que funcione com um ou outro, mas deixo aqui minhas dúvidas a respeito. Nem pai Zélio, lá no começo da Umbanda organizada, recomendou esse procedimento. O Caboclo das Sete Encruzilhadas, quando definiu o ritual para a Umbanda, recomendou o canto harmonioso como facilitador da concentração e formação de egrégora, talvez o silencio, depois da abertura dos trabalhos, possa até ser um bom exercício, mesmo assim não combina com a Umbanda, nem tampouco com as Umbandas que se manifestam hoje em dia pelo nosso país e pelo mundo afora.

Acredito que os guias devem se manifestar nos médiuns de forma espontânea, seguindo, no entanto, a recomendação sobre a linha de trabalho do dia, do contrário, cada médium, no silencio, pode manifestar guias de linhas diferentes, ou não, pode ser que para determinadas pessoas seja um momento extremamente desconfortável, será que seria produtivo? Tanto para quem está em desenvolvimento, quanto para aqueles que estão acompanhando esse tipo de atividade seria bem complicado, não? Por exemplo: A atividade de desenvolvimento começa no silencio, de repente se manifesta: Exu, Erê(criança), Baiano, Cigano, cada entidade num médium, como seria para o dirigente lidar com todos ao mesmo tempo?

Sinceramente não acredito nesse tipo de prática.

Bem desenvolver a mediunidade requer tempo, paciência, entrega sincera por parte do médium, seja na Umbanda ou em outra religião/doutrina, lembrando sempre que devemos seguir as orientações do dirigente da casa que escolhemos por sentir afinidade, mas se essas orientações, passarem a nos incomodar, de alguma forma, nosso dever para conosco é refletir e pensar em novas possibilidades.

Anna Pon


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