A cigana de branco


A cigana de branco

Há muito tempo, lá pelo meio do meu caminhar mediúnico, lembro de ter visto, pela faculdade da vidência, uma cigana toda vestida de branco. A reconheci imediatamente, pois se tratava de uma entidade que me acompanhou na juventude.

Comentei com uma colega de casa, na época eu frequentava e trabalhava numa casa espírita Kardecista, e ela respondeu que talvez o branco simbolizasse a evolução do espírito da cigana.

Concordei, mas não totalmente porque sempre acreditei, e acredito, que evolução não se mede pela cor da roupa, nem da pele e nem por outras tantas coisas que povoam a imaginação de muita gente, enfim...pensei muito a respeito sem chegar a uma conclusão que fechasse a questão; detalhe: a questão não está concluída até hoje, normal, porque só nos é dito, pela espiritualidade, o que realmente precisamos saber e não era o caso.

O fato acima relatado é introdutório para falar um pouco sobre espíritos e trajes.

Um dia desses alguém disse que não confiava em ciganas vestidas de branco, cor usada na Umbanda, que cigana vestida de branco, com roupa comum de trabalho, não era forte, não trazia axé, portanto, não merecia crédito etc. e tal.

Soube ainda que a médium, alvo dessa maledicência e desinformação toda, se encontrava muito chateada, pensando em até abandonar a religião e a casa na qual prestava serviço como médium em pleno exercício de doação em nome da caridade.

Essas informações que nos chegam nos entristecem muito porque percebemos que ainda, com tanta informação disponível, existem pessoas que pensam assim, como essa gente que somente vê a forma e não a essência.

Na Umbanda a roupa de trabalho é simples e branca para todos e esse é um dos fundamentos da religião: simplicidade e noção de coletividade onde um não deve se sobressair, no caso em questão, o traje, dos outros. O branco é uma forma de igualar a todos, por isso chamamos o corpo mediúnico de corrente: todos iguais e com o mesmo propósito: servir.

Respeito todas as formas de manifestação dos espíritos, mas tenho certeza que a roupa não determina força nem axé porque o forte não diz que é e carrega consigo o axé verdadeiro, fruto de sua humildade.

Todas as entidades se manifestam na Umbanda através de seus médiuns e são eles que usam roupas, não os espíritos, esses últimos se apresentam com vestes, aos videntes, adequadas e variadas de acordo com a necessidade do trabalho e da egrégora que sustenta a casa, além de ser o traje (espiritual) uma das muitas maneiras de serem reconhecidos. Esse é um assunto para estudos.

Quem pensa que uma cigana, incorporada num médium vestido de branco, como deve ser na Umbanda, não tem força ou axé está muito enganado, ofuscado pela vaidade que não cabe numa corrente de Umbanda, vai ter de aprender muito ainda.

Não sei se a médium, em questão, conversou com o responsável (sacerdote/sacerdotisa), da casa, soube desse caso sem me ater à detalhes, são conversas, casos trazidos aleatoriamente, mas se nos chegam, é por alguma razão, por isso uso a ferramenta disponível, a escrita, com o objetivo de esclarecer e acalmar corações que se encontram na mesma situação, ou casos parecidos.

Ninguém precisa se vestir de cigano, boiadeiro, indígena, marinheiro, para que a linha de trabalho se identifique, repito: o traje de médium de Umbanda é branco e as linhas são identificadas pelos pontos cantados, pelos toques dos tambores, não pelas roupas ou adereços, isso é por conta da falta de esclarecimento ou, talvez, por regras de algumas casas, respeitamos, repito, a todas as formas de manifestação do espírito para a prática da caridade, se alguns sentem essa necessidade e se a espiritualidade que comanda a casa permite, tudo bem, desde que se faça o bem, como manda a regra de ouro da Umbanda, tudo certo.

A estas alturas penso que na casa, em questão, fosse prática comum o uso de trajes especiais para os ciganos, por exemplo, por isso a médium foi assediada pelos demais por usar branco, mesmo assim o devido respeito a ela e à entidade, deveria ser observado, ninguém deve se obrigar a usar o que não é necessário.

A minha opinião sobre o assunto é clara: A médium deveria procurar outra casa onde o uso do branco fosse o recomendado para todos da corrente. Às vezes não nos encaixamos em determinadas casas, não porque somos melhores ou mais evoluídos, não, mas porque nosso modo de pensar e agir é diferente, nossos anseios como médiuns são outros e temos o dever de cuidar de nós mesmos nos ligando a grupos que atendam essas nossas necessidades íntimas.

A espiritualidade, às vezes, usa esses contratempos para nos tirar da zona de conforto, para nos fazer pensar sobre questões diversas e para nos movimentar no sentido de irmos em busca ao que nos atenda o coração para que o trabalho deles flua com maior facilidade e naturalidade porque em ambientes desrespeitosos, vaidosos, com pouca vontade de se esclarecer através do estudo, tudo fica difícil e dependendo do grau que tais sentimentos alcancem, até mesmo a casa pode vir a ser fechada, a espiritualidade de luz pode se afastar e em seu lugar espíritos pouco esclarecidos e maldosos podem vir a ocupar o lugar daqueles guias que ali praticavam a caridade.

Ostentação não combina com Umbanda, a vaidade, extrema, provoca falatório, inveja e até constrangimento porque a simplicidade cede lugar ao luxo que por sua vez tenta se impor, pelo externo, aos mais simples que ganham o pão de cada dia com dificuldade e isso não se encaixa, não cumpre o propósito da Lei de Umbanda.

Há quem economize e até se prive de itens básicos, fundamentais à saúde, para ostentar o que não tem, para não ficar "por baixo" e parecer o que não é, isso não é Umbanda, nenhum guia de Luz exige do médium mais do que ele pode oferecer, aliás, o que é exigido, nada tem a ver com itens externos como roupas, por exemplo, a exigência fica no campo do caráter e da conduta dentro e fora dos terreiros, fica no campo evolutivo como ser humano que busca ser melhor, mais consciente de seu papel diante da espiritualidade e da vida, é um processo de auto conhecimento, não de quem usa a melhor e mais luxuosa roupa.

Médium, use seu branco com amor e respeito, zele pelas suas roupas de trabalho, elas são sagradas, ao invés do luxo, cuide de suas vestes com carinho, lave bem, dedique um tempo para deixá-las limpas, perfumadas, para que você, vestido com elas, se apresente para servir à espiritualidade dignamente, com simplicidade e com muito zelo e asseio por seu corpo e por sua roupa branca, garanto que isso sim agrada à espiritualidade, deixe as fantasias e adereços para outras ocasiões e lugares, seja simples de coração, honesto em seus propósitos e sempre poderá contar com a mão forte e amiga da espiritualidade.

O axé mais forte é aquele que vem através do amor e do respeito, das boas intenções, das oferendas mais simples que são compartilhadas com todos.

Muita Luz,
Anna Pon


Olá, sou Anna Pon, autora deste blog. 
Conheça meu trabalho de psicografia literária e seja sempre bem-vindo!  


"Vô Benedito nos Tempos da Escravidão" novo trabalho psicografado por Anna Pon. 
Transmitido por Vô Benedito (Espírito)
Já à venda no Clube de Autores e nas melhores livrarias do Brasil
Nas versões impresso e e book acesse o link!



"Serena" trabalho psicografado por Anna Pon 
Transmitido pelos espíritos Pai Inácio e Shàa
À venda no Clube e nas melhores livrarias do Brasil
Nas versões impresso e e book acesse o link!



"Maria Baiana e a Umbanda"
Uma psicografia de Anna Pon pelo espirito de Maria Baiana
Disponível nos formatos e book e capa comum, já a venda em
Amazon.com





Publicações pela Editora do Conhecimento

"A História de Pai Inácio" https://bit.ly/3tzR486  

"A Cabana de Pai Inácio"  https://bit.ly/3nlUKcv


"Carmem Maria" https://bit.ly/3z0tLp4




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Características dos filhos dos orixás, personalidade dos filhos de Oxalá, Yemanjá, Oxum, Ogum, Oxossi, Yansã, Xangô

Flores para os Orixás

Orixá de Frente – Orixá Adjunto – Orixá Ancestral – A natureza humana -