Formas Humanizadas dos Orixás


14 de agosto -  "Iaô, Oiaô. Se for uma dança que gira, ela dança, Se for Bembê, ela dança (...) Quem dança com  os tambores da Bata? Ô,  ela dança. Quem dança com Shekerê, Ô ela dança. Mulher de Ogum, ela é quem dança seja o que for. Ela vem dançando mascarada de Egungun há muito, muito tempo. Oiá tinha tanta honra que se virou e tornou-se Orixá. Oiá guarda a estrada que leva ao mundo e dela sai. Oiá, respeito ao que mete medo." (Judith Gleason, 'Reza Tradicional de Oiá') - by Júlia Rodrigues


Formas Humanizadas dos Orixás 

Por Alexandre Cumino 


As Divindades Maiores não tem forma humanizada, são mentais planetários, presentes em tudo e muito ligados à natureza. 

Sentimos sua presença nos pontos de Força (Matas, Cachoeiras, Mar, Pedreiras, etc.). A maioria de nós não consegue entender uma presença sem forma, por isso a importância da humanização, onde se costuma dar uma feição humana que mais se aproxime das qualidades da Divindade. 

O que justifica uma forma humana negra e outra branca para Yemanjá. A forma humanizada irá transparecer as qualidades divinas do Trono, Divindade ou Orixá. Se é uma divindade do Amor tem uma forma doce e amorosa; se uma divindade da Lei, forma imponente que imponha respeito; se uma divindade da Justiça, forma séria a cobrar débitos e lembrar dos créditos. 

Acompanham ainda as formas humanizadas das Divindades, seus elementos e indumentária que identifique seu campo de atuação e natureza divina, onde vemos por exemplo uma espada para a Lei, um machado de lâminas iguais ou balança para a justiça, uma bengala para a evolução, um cajado para a Fé, uma flecha para a busca ou a caça. 

Há também simbologia dentro do próprio elemento da Divindade onde a água é a geração da vida, o fogo é a justiça, o ar a ordem ou o verbo ordenador, a terra que tudo acolhe é a transmutação, etc. 

Bem muitos são os elementos presentes e identificadores de formas humanizadas. Além das Divindades maiores, mentais planetários, há entidades naturais que incorporam em seus médiuns como Orixás individuais, entidades vindas de reinos da natureza ou se preferir dimensões regidas pelos Orixás Maiores. 

Estas entidades naturais manifestam as qualidades dos Orixás Maiores num nível além do que estamos acostumados, sua presença se faz sentir como a presença viva da divindade por meio da intensidade de vibração e energia. 

Estes seres naturais assumem uma forma humanizada para melhor se fazerem entender. Dentro de uma mesma natureza encontraremos entidades naturais atuando em campos diversos, nos quais identificamos uma Oxum da Fé, outra do Conhecimento, Justiça, Lei... algumas tem nomes conhecidos como Oxum Apará, no entanto não há uma tradição na Umbanda com relação a diversidade de nomes qualificativos dos Orixás. Desta forma é natural identifica-los pelo campo em que atuam. 

O estudo destas combinações é chamado de Ciência Divina e é ele que mostra o entrecruzamento de forças que dá origem a tantas formas e nomes. Veja: 

Ogum Marinho (Ogum e Yemanjá), Ogum Matinata (Ogum e Oxalá), Ogum Megê (Ogum e Omolu), Ogum Rompe Mato (Ogum e Oxossi), Ogum do Fogo (Ogum e Xangô), etc. 

Nenhum destes Oguns é o Pai Maior Ogum e sim entidade naturais de Ogum, cada um tem sua forma humanizada diferente. Todos eles têm a mesma natureza direcionada para campos de atuação diferentes. O que é bem diferente de caboclos de Ogum que vem normalmente nas sessões de Umbanda dar consultas e carregam nomes, se não idênticos, parecidos com os nomes dos Oguns. Da mesma forma que há Ogum Beira Mar, há Caboclo de Ogum Beira Mar; Ogum Marinho e Caboclo de Ogum Marinho... 

Como diferenciar um caboclo do Orixá? 

Simples, caboclos incorporam e dão consultas, Orixás incorporam e executam toda uma ritualística sem pronunciar nenhuma palavra, quando muito dizem apenas o seu nome.

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