Jesus, o Diabo e a Umbanda




Jesus, o Diabo e a Umbanda 

por Alexandre Cumino 


Jesus se recolheu no deserto por 40 dias e nesse período foi tentado pelo diabo três vezes. Vejamos o que fala a Bíblia (Matheus 3-4): 

“Então Jesus foi levado pelo espírito para o deserto, para ser tentado pelo diabo. 

- Se és filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. 

- Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. 

- Se és filho de Deus, atira-te para baixo, porque está escrito: Ele dará ordem a seus anjos a teu respeito, e eles te tomarão pelas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra. 

- Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus. Mostrando todos os reinos do mundo, fala o tentador: 

- Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares. 

- Vai-te Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele prestarás culto”. 

Este é o poder da Bíblia, da palavra e de Jesus, reunir muitos ensinamentos em poucas palavras, ensinamentos que vão além do tempo e da cultura, são vivos até hoje. Que tal uma reflexão para a Umbanda? 

Podemos começar com o recolhimento de Jesus, nos mostrando que há momentos que se faz necessário nosso recolhimento para uma reflexão sobre a vida e para alcançar níveis mais elevados de consciência, através de provas e iniciações. 

Quem é o diabo? 

Pode ser muitas coisas, desde uma entidade, um anjo caído, um ser que representa o mal, uma outra pessoa ou simplesmente o nosso lado sombrio, nosso ego, nossas paixões e desejos que devem ser vencidos. Mas a melhor reflexão cabe às três tentações, pois Cristo rejeita exatamente o que médiuns e consulentes pedem para alcançar através da Umbanda. 

Vejamos: 

Transformar pedra em pão – Quantos esperam demonstrações de poder para solucionar sua “fome” de forma instantânea? 

Atira-te para baixo 

– Muitos esperam da Umbanda proteção sobre humana para fazerem o que bem entenderem. 

Tudo isto te darei 

– Quanto a esta o diabo nem precisa oferecer é tudo o que boa parte espera “ganhar” com a Umbanda, os reinos deste mundo, esquecendo-se que o que está acima do altar não é uma “barra de ouro” e sim o “ouro da vida”. 

Esta é uma crítica para refletirmos sobre qual o papel da religião em nossa vida, que com certeza não é produzir milagres, nem satisfazer nossos desejos. 

O ser humano passa anos criando e alimentando seus problemas e complicações, depois espera que um caboclo ou preto-velho o resolva num estalar de dedos. 

O ser humano se mostra descrente e exige um milagre para sair desta sua condição de desilusão da vida. 

O ser humano não quer ser humano, quer ser Deus - no sentido egoísta da palavra, pois todos somos deuses - o mito do anjo caído diz respeito ao próprio ser humano que dá ouvidos a suas vaidades, desejos e paixões. 

A religião é um convite para conhecermos melhor a nós mesmos, nos espiritualizarmos e buscarmos uma vida feliz independente do que temos ou possuímos.

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