Estreitando laços com a espiritualidade

 


Estreitando laços com a espiritualidade

Apesar de tanta informação disponível hoje em dia, seja em blogs, como este, em livros, vídeos, posts, há quem queira informação pronta para sanar suas dúvidas a respeito da Umbanda e de suas entidades. Muitos não se dão ao trabalho de pesquisa, outros tantos tomam por verdade informações não confiáveis e a confusão se instala.

A maneira mais eficiente de se conhecer a Umbanda é vivenciando, através da prática, da paciência, da constância, o trabalho realizado. Mesmo a Umbanda sendo plural, ou seja, mesmo que cada terreiro tenha sua prática particular, é nesse ambiente que se dá o aprendizado, por isso, antes de decidir por uma ou outra casa, é preciso frequentar, pelo menos por algum tempo, um terreiro, depois outro, além de ouvir o que as pessoas dizem sobre os rituais e a dinâmica de trabalhos realizados.

Normalmente, quando chegamos a um terreiro que seja compatível conosco, sentimos uma sensação de alegria, emoção, bem-estar, o mesmo não acontece com outros que podem nos causar desânimo, irritação ou qualquer tipo de incomodo que sinaliza que ali não é o nosso lugar, portanto, nossa natureza íntima é sábia, por isso dizemos que devemos ouvir o nosso coração, é porque ele sabe qual é o melhor local para nós.

Se as pessoas querem saber como trabalham os pretos e pretas velhas, nada melhor que ser cambone por algum tempo, não apenas dessa linha, mas de todas porque este sim é um aprendizado profundo e eficaz. Não basta perguntar para alguém, ou ler nos livros porque é na prática que descobrimos, aos poucos, como as entidades trabalham e quais são suas especialidades. Pessoas darão sua opinião e livros ou textos podem não estar de acordo com os fundamentos da casa onde se está trabalhando e isso causa desgaste e confusão.

Não estou dizendo que o estudo não é válido, estou dizendo que a prática na Umbanda é fundamental e que o estudo é uma ferramenta valiosa, mas é preciso ter cautela porque há muita coisa escrita nos dias de hoje que não acrescenta em nada no desenvolvimento da mediunidade. Ler sobre Umbanda, sua história, linhas de trabalho é muito bom, mas escolher o que ler e filtrar informação é imprescindível para uma boa formação mediúnica. O apelo ao bom senso é bom conselheiro sempre.

Fora do terreiro temos a teoria que ajuda muito a compreender a prática. Às vezes, nos deparamos com situações que não conseguimos entender de pronto durante a gira, mas depois, estudando, compartilhando a experiencia, a explicação chega clara e transparente. É assim que funciona a Umbanda, é uma religião de saberes inesgotáveis porque nela atuam espíritos de todas as religiões existentes no mundo, por isso, ler sobre mediunidade, por exemplo, não se restringe apenas aos estudos de Umbanda porque outras religiões e doutrinas explicam o tema com bastante nitidez e clareza servindo de norte para médiuns de todas as práticas que envolvam mediunidade.

Durante uma gira de Umbanda muitas coisas acontecem ao mesmo tempo. Videntes percebem os movimentos, as entidades trabalhando, portais se abrindo, outros se fechando, etc., mas para que tudo isso seja proveitoso ao médium e à casa, bem como aos outros médiuns da corrente, é fundamental o equilíbrio que só se conquista com o tempo através de um bom e bem feito desenvolvimento mediúnico que habilita a trabalhos de extrema importância, como por exemplo, desobsessões complexas. Chegamos a esse ponto com muito trabalho e estudo, errando e acertando, mas é ilusão pensar que teremos todas as respostas que buscamos porque algumas respostas não nos seriam úteis, nem convenientes, portanto, ser médium de Umbanda é aprendizado constante; teórico e prático.

Quanto mais conhecimento o médium adquire, melhor irá servir à espiritualidade porque os espíritos não sabem tudo, assim como nós, que estamos encarnados, eles têm limitações, por isso cada linha de trabalho tem sua especialidade específica, como por exemplo acontece na medicina, cada médico se especializa numa determinada área. Tem gente que pensa que os espíritos sabem tudo, isso não é verdade, antes sim é falta de conhecimento e ai é que entra o estudo, não só sobre Umbanda, mas sobre a espiritualidade em geral que abrirá um grande leque de saberes importantes ao médium de Umbanda ou de outra religião.

A algum tempo me perguntaram como estreitar laços com as entidades espirituais, pensei numa resposta rápida, mas senti que não seria suficiente porque a pergunta é profunda, envolve nosso cotidiano, nosso caráter e o quanto estamos dispostos a evoluir levando sempre em consideração nossas limitações e possibilidades, portanto, estreitar laços com a espiritualidade é uma questão de tempo, de se dispor ao trabalho, ser persistente, não se deixar abalar por melindres, é confiar e aos poucos conhecer os valores que eles nos passam para depois incorporá-los às nossas vidas, às nossas atitudes e relacionamentos; um exemplo: respeitar o próximo e a coletividade, respeitar a natureza, morada dos Orixás, e os animais, colaborar com o bem comum. Tudo isso estreita nossos laços com a espiritualidade porque eles acompanham nossos passos no dia a dia e não apenas nos momentos dedicados à religião.

Há quem diga que os espíritos que se manifestam através da nossa mediunidade são nossos familiares, são a nossa família espiritual. São nossos pais, irmãos, companheiros de muitas encarnações. Acredito nisso em parte porque, como humanos, somos uma grande família e isso é dito pelas grandes religiões: Somos todos irmãos, pois somos todos filhos de Deus. Partindo desse principio, é claro que as entidades são nossos familiares, apenas vivem em outro estágio da existência, mas vou além...

Não conhecemos nossos ancestrais, sabemos apenas que viveram e como bons Umbandistas, os honramos e agradecemos por todas as estradas abertas por eles para que pudéssemos estar aqui, agora, nessa existência. Acredito que uma ou outra entidade que nos acompanha na seara da Umbanda seja um ancestral ou familiar nosso, mas nada disso é relevante porque o que importa mesmo é a relação de confiança e lealdade que estabelecemos com eles neste momento, nesta oportunidade de vida e não no passado, por isso volto à pergunta: Como estreitar laços com a espiritualidade?

Por tudo já exposto, vamos então a algumas dicas ou orientações, como queiram:

  1. Qual é seu objetivo/intenção, quando você busca por maneiras de estreitar laços com a espiritualidade?
  2. Como você pretende estreitar esses laços? Pensa em oferendas, agrados materiais? Ou está disposto a promover sua reforma íntima e ajudar os demais na busca por bons caminhos?
  3. Você é um trabalhador de Umbanda assíduo, disciplinado, envolvido com a casa na qual trabalha? Ou pretende se aproximar da espiritualidade estando do lado de fora?
  4. Quais são suas crenças? Você acredita na sobrevivência do espirito? Em reencarnação?
  5. Faça um exame de consciência e responda sinceramente: Você pretende estreitar laços com os espíritos para obter vantagens pessoais?
  6. Qual a sua disponibilidade para realizar o trabalho junto aos espíritos? Está disposto a servir de instrumento dentro e fora dos terreiros, exemplificando com suas atitudes, a sua fé?
  7. Seu objetivo é estreitar laços com a espiritualidade pela mediunidade alheia ou pela sua?
As perguntas acima podem dar uma ideia do que seja estreitar laços com a espiritualidade. Esteja atento porque os bons espíritos esperam que sejamos capazes de cuidar de nós mesmos não os usando como muletas nem dependendo exclusivamente deles para tudo na vida. Eles nos instruem, mas somos nós que construímos o nosso futuro pelas boas escolhas feitas no presente.

Concluindo:

Estreitar laços com a espiritualidade requer disciplina, transparência de intenções, ter bom coração que significa ser empático, disposto sempre a ajudar e trilhar o caminho do bem, ter fé mesmo que as coisas não aconteçam do jeito que se quer, ser honesto, verdadeiro, sem com isso ser cruel, buscar desenvolver os valores morais e espirituais que as entidades aconselham, ter respeito pelos outros e por si mesmo, promover a paz, a união, tanto quanto lhe seja possível e oportunizado, criar o hábito da oração, ser sempre grato por tudo e por todos que caminham a seu lado, reconhecer Deus como soberano sobre tudo e todos, acreditar que o bem sempre prevalece, não fazer ao outro o que não quer para si...e muito mais, é só parar e refletir, pois todas as respostas aos nossos anseios estão dentro de nós mesmos. Nossa consciência é nossa melhor conselheira.

Não se engane, a espiritualidade pode não saber tudo, mas conhece a nossa energia, lê nossa aura e, algumas vezes, tem acesso ao nosso histórico de vida, portanto, ser honesto é um bom começo rumo ao estreitamento dos laços com os espíritos.

Anna Pon


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